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EDITORA DA TRIBO - Coleção das Agendas 2009

TEXTO DA SEMANA

 à inseparável companheira
à inseparável companheira

agarrada a meus pés
sabedora dos meus passos
e paradas
a imitar-me - incansável -
gesto a gesto
a seguir-me tão calada tão discreta
pelas curvas e botecos

com(o) a minha sombra
jamais me senti só(bria)
líria porto

O caminho de Itacaré

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          Como em todo encontro dos membros desta tribo, tinha gente vindo de todo canto: porto, sampa, salvador. O destino era Itacaré, refúgio de natureza e beleza; o objetivo era avaliarmos o transcorrido ano de 1999 e planos futuros.
 
  

          Encontramos o pessoal do sul na rodoviária de SP. Carimbados pelas primeiras dezoito horas de buzum, Ildo e Déa já sinalizavam fadiga do material. Mas faltavam 36 horas até Ilhéus, os cinco paulistas estavam cheios de gás e tudo vale a pena quando a alma não é pequena.


          Dali pra frente foi ficando deliciosamente surreal. Começando por duas figuras que, já tendo metido o pé na jaca, haviam criado um bordão. Um dizia “muita calma nesta hora”, o outro respondia “tem, mas acabou”. Às vezes na ordem inversa.


          Fomos adentrando a noite e as Geraes com muita calma naquela hora, e cônscios de que tinha, mas havia acabado. Papeamos, cochilamos, até passarmos por Teófilo Otoni. Cafezinho, queijo quente, água do joelho, seguimos estrada. Cinco horas depois, surpresa: estamos de novo em Teófilo Otoni. Numa manguaça interminável, o sujeito do fundão pontifica: “muita calma...”


O motorista tinha se perdido. Enquanto os funcionários da empresa explicavam constrangidos o inexplicável, o “tem, mas acabou” ia mostrando sua dimensão mais dramática.

  


          Como num sonho pastoso e morno, as quarenta e tantas horas foram derramando seus sons e luzes, contrastes, cores, trocas. O ônibus como uma ilha, uma comunidade, errando pelo interior do país em busca do porto prometido. Com toda a calma do mundo naquela hora.


          Mais três horas de Kombi na madrugada, cansaço e enfim, Itacaré e o mar. Ildo, meio morto e dopado, diz que nem acredita que tem outra maratona destas pra voltar.


          Tinha. Mas aquela havia acabado.


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