agarrada a meus pés
sabedora dos meus passos
e paradas
a imitar-me - incansável -
gesto a gesto
a seguir-me tão calada tão discreta
pelas curvas e botecos
com(o) a minha sombra
jamais me senti só(bria)
líria porto
Como em todo encontro dos membros desta tribo, tinha gente vindo de todo canto: porto, sampa, salvador. O destino era Itacaré, refúgio de natureza e beleza; o objetivo era avaliarmos o transcorrido ano de 1999 e planos futuros. | ||
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Encontramos o pessoal do sul na rodoviária de SP. Carimbados pelas primeiras dezoito horas de buzum, Ildo e Déa já sinalizavam fadiga do material. Mas só faltavam 36 horas até Ilhéus, os cinco paulistas estavam cheios de gás e tudo vale a pena quando a alma não é pequena. | ||
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Dali pra frente foi ficando deliciosamente surreal. Começando por duas figuras que, já tendo metido o pé na jaca, haviam criado um bordão. Um dizia “muita calma nesta hora”, o outro respondia “tem, mas acabou”. Às vezes na ordem inversa. Fomos adentrando a noite e as Geraes com muita calma naquela hora, e cônscios de que tinha, mas havia acabado. Papeamos, cochilamos, até passarmos por Teófilo Otoni. Cafezinho, queijo quente, água do joelho, seguimos estrada. Cinco horas depois, surpresa: estamos de novo em Teófilo Otoni. Numa manguaça interminável, o sujeito do fundão pontifica: “muita calma...” |
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O motorista tinha se perdido. Enquanto os funcionários da empresa explicavam constrangidos o inexplicável, o “tem, mas acabou” ia mostrando sua dimensão mais dramática. |
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Como num sonho pastoso e morno, as quarenta e tantas horas foram derramando seus sons e luzes, contrastes, cores, trocas. O ônibus como uma ilha, uma comunidade, errando pelo interior do país em busca do porto prometido. Com toda a calma do mundo naquela hora. Mais três horas de Kombi na madrugada, cansaço e enfim, Itacaré e o mar. Ildo, meio morto e dopado, diz que nem acredita que tem outra maratona destas pra voltar. Tinha. Mas aquela havia acabado. |